(primeiro poema publicado na Megazine d'O Globo, dia 26 de fevereiro de 2008)
Por trás destas grades
Sou prisioneiro de mim mesmo
Escravo da vida
Eu sou brasileiro
Modernos facínoras
De mim vão arrancar
A liberdade de rir
Minha vontade de chorar
Dessa verdade inconveniente
Com a qual aprendi a viver
E, assim, felicidade
É algo que eu nunca vou conhecer
Trancado, encurralado
Vivo no meio de um tiroteio
Sou um triste sofredor
Eu sou brasileiro
Nestas terras esverdeadas
Nesse céu azul de anil
Sobrevivência é privilégio
Mas a gente ainda não desistiu
Então, assim, eu vou vivendo
Na esperança de melhorar
Enquanto todos nós ficamos sentados
Só vendo a vida passar
Brasil, Terceiro Mundo,
Tenho orgulho de mim mesmo
Nasci aqui nestas terras
Sim. Eu sou brasileiro.
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