sexta-feira, 30 de julho de 2010

No Taxi

Outro dia peguei um taxi para sair à noite e nunca vi um taxista tão simpático. O resto da viagem até o meu destino foi ocupado com pensamentos sobre a razão de tanta simpatia.
Claro que a primeira coisa que passou pela minha cabeça foi que sua alegria era apenas um passo a mais para uma gorjetinha no final da corrida. O taxímetro marca R$17,00. Entretanto, por questão de praticidade, dou R$20,00. Além disso, ele foi tão simpático... É claro que, no mundo capitalista atual, a primeira razão que nos vem à cabeça é: para ganhar mais dinheiro.
Depois, pensei que ele pudesse ter recebido uma grande noticia durante o dia, do tipo "ganhar na loteria", "ter um netinho", "não ter mais que trabalhar" ou qualquer outra coisa do gênero que o fizesse feliz e desse vontade de exacerbar essa felicidade para qualquer um que estivesse perto dele.
Por último, pensei que talvez ele estivesse sendo simpático simplesmente por ser simpático. E, surpreendentemente, foi a opção que mais me agradou, pois me fez acreditar que o mundo não precisa ser um lugar ruim e que as notícias nos jornais não precisam abalar nossa vivência. Afinal, estamos vivos e precisamos aproveitar!
No final, não me importei mais com a razão pela qual ele estava sendo simpático. Apenas compreendi que o fato de tratar as pessoas bem já basta, não importa o motivo.
Fica a dica. ;)

segunda-feira, 19 de julho de 2010

Poema Musicado

Por entre as letras
Escrevo uma nota
Por entre as notas
Componho uma letra

De letra em letra
Tenho uma canção
E com cada nota tua
Faço-te uma poema

Nestes versos musicados
Pretendo lhe dizer
Que a música é pra mim
Mas o poema é pra você

Uma Carta para o meu Coração

Querido coração,

Primeiramente me desculpo
Por fazê-lo sofrer tanto
Sempre achei que minha razão
Não te entendia

Sinto muito, coração
Pois tu és tão querido
Mas aquele que eu amava
Também o era

Perdoe-me, coração
Pelas decisões que fiz
Não sei se estão certas
Não sei se te segui

Gosto de ouvir a razão
Mas quero te escutar, coração!
Onde estás?
Onde estás?

Querido coração,
Por favor, não se esqueça de mim
Aguardo uma resposta tua
Coração, diga-me que não é o fim!

sexta-feira, 16 de julho de 2010

Uma Carta Para Meu Amor

Meu amor,

Quando estou com você
as horas são levadas pelo vento
Então, fecho os olhos
E imploro por mais um momento

Para sentir seus lábios
E a sua respiração
Em completa sintonia
Com as batidas do meu coração

Sei que você é
o oposto de mim
Mas dizem que os opostos se atraem
Então por que temer o fim?

Queria poder estar com você sempre
E contigo viver até a eternidade
Para velhinhos lembrarmos
De quando tínhamos essa idade

segunda-feira, 12 de julho de 2010

O Tempo

Abro os olhos para o mundo
Sem saber o que esperar
Eu não tenho planos
Deixo a vida me levar

Viver sem pensar
No que pode acontecer
Esquecer do tempo
Deixar o tempo te esquecer

Imagens em movimento
Não consigo acompanhar
Minuto que virou segundo
Está na hora de chegar

Detenha o meu tempo
Porque ele quer correr
Agarre a sua chance
Que ela não vai agarrar você

Os dias estão passando
E se não aproveitar
As horas vão embora
E a saudade vai ficar

Só temos uma chance
E se eu fosse você
Não corria com o tempo
Para não se perder

A vida podia ser assim
Sem tempo, minuto, segundo
E esquecer que tem um fim

sábado, 10 de julho de 2010

Dê Uma Chance à Paz

Mesmo quando falta esperança,
Mesmo quando a alma não aguenta mais,
Dê uma chance à paz.

Mesmo quando tudo parece errado,
Mesmo quando a vida te deixa para trás,
Dê uma chance a paz.

Mesmo estando tudo errado,
Mesmo que a confiança não exista mais,
Dê uma chance à paz.

"All we are saying is give peace a chance"

Um tributo a John Lennon.

quarta-feira, 7 de julho de 2010

Eu Sou Brasileiro

(primeiro poema publicado na Megazine d'O Globo, dia 26 de fevereiro de 2008)

Por trás destas grades
Sou prisioneiro de mim mesmo
Escravo da vida
Eu sou brasileiro

Modernos facínoras
De mim vão arrancar
A liberdade de rir
Minha vontade de chorar

Dessa verdade inconveniente
Com a qual aprendi a viver
E, assim, felicidade
É algo que eu nunca vou conhecer

Trancado, encurralado
Vivo no meio de um tiroteio
Sou um triste sofredor
Eu sou brasileiro

Nestas terras esverdeadas
Nesse céu azul de anil
Sobrevivência é privilégio
Mas a gente ainda não desistiu

Então, assim, eu vou vivendo
Na esperança de melhorar
Enquanto todos nós ficamos sentados
Só vendo a vida passar

Brasil, Terceiro Mundo,
Tenho orgulho de mim mesmo
Nasci aqui nestas terras
Sim. Eu sou brasileiro.

terça-feira, 6 de julho de 2010

Todo o Tempo

(segundo poema publicado na revista Megazine d'O Globo, dia 6 de julho de 2010)

Não digo que te adoro o tempo todo,
Pois poderia soar exagerado.

Mas eu te adoro o tempo todo!

Não digo que te quero o tempo todo,
Pois pareceria desesperado.

Mas eu te quero o tempo todo!

Não digo que te amo o tempo todo,
Pois acabaria por ser irritante.

Mas eu te amo o tempo todo!

Ah, quer saber?
Eu te adoro.
Eu te quero.
Eu te amo.

O tempo todo.

segunda-feira, 5 de julho de 2010

Haikai

Pego um lápis e rabisco o mundo
Nele vejo meu futuro
Depois a borracha vem e apaga tudo

domingo, 4 de julho de 2010

Meu Coração

Meu coração
Não aguenta mais chorar
Não aguenta mais sofrer

Por histórias corridas
Por lembranças varridas
Por memórias que ainda podem ser

Frágil coração
Não suporta mais viver
Não suporta mais te ter

Por mais que o amor seja grande
Por mais que a história seja nossa
Por mais que queira continuar

Grande pequeno coração
Não consegue mais fazer tuntuntun
Não consegue mais sorrir

Pois chora, chora, chora
Se esquece na memória
Do passado que já se foi
E não voltará mais

Não chore mais, coração
Pois agora já é hora
De ser feliz

Mar

Ah, queria eu ser como o mar
Ir e voltar
Sem ter de atar laços

Conhecer milhares, milhões
Diversas pessoas
E não dever nada a ninguém

Ah, queria eu ser como o mar
Conhecer o mundo
Sem nenhum compromisso

Não ter de sofrer
Não ter de chorar
por ninguém

Ah, queria eu ser como o mar
Grande e solitário
Sem perigos de ser machucado

Mas um dia fico com saudades
Das pessoas que um dia vi
E nunca mais verei...

Ah, queria eu ser como o mar